sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Manuel Hermínio Monteiro

Sei pouco falar dele mas sei o que lhe devo e o tanto que lhe deve a nossa literatura. Sem ele este não era o panorama, era outro, claramente pior. E este é um dos meus dogmas que não se discute.
Transmontano, vive uma vida de pássaro até chegar à Assírio e Alvim. Foi lá que descobriu em mesas de cafés e restaurantes os nossos poetas, músicos, pintores, ensaístas. Disse que "aquilo" era bom. E pela mão dele, os escritores foram chegando. Hoje temos a Assírio, a ainda Assírio, familiar porque foi a família do Hermínio. É por estas pessoas que me apetecia ser "menos" pequenina, para ter conseguido viver com ele lado a lado.
Morreu demasiado cedo em Junho de 2001. Deixou-nos um universo inteiro. Aqui deixou uma das últimas entrevistas, que é preciso ler.

Ai, ai, que os nossos meninos surrealistas tinham a razão toda...

"Politicamente a Metaciência ao pronunciar-se dirá que a verdadeira democracia só será possível quando todos os homens forem poetas. Mas isso não chama ela democracia - mas ANARQUIA!

Cesariny, quanto gostaria de ver a meu lado tu e todos os outros - desta vez não com a sombra de um Breton - mas com os nossospróprios corpos! na conquista de mais um impossível, de mais um mundo que está perdido - a elaborar a imaginação do Mundo!"


António Maria Lisboa 
A Intervenção Surrealista(roubado daqui)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

aquilo a que alguém ontem chamou "conversas de literatura" quando na verdade dá pelo pomposo nome de Curso de Literatura Portuguesa

É muito além de um curso. É um amigo do Manuel Hermínio Monteiro que se comove e nós com ele. E alguém que traz a Comunidade escondido na mala. É alguém que ainda ontem viu o Autografia e ficou fascinada com o Cesariny. É a Trama, e os livros que vão ser comprados na Trama. E as cadeiras da Trama, a Rita da Trama, as conversas na Trama antes e depois. É a vizinha do Santa-Rita Pintor nos anos 50 quando o Santa-Rita Pintor se suicidou em 1918. São os cadáveres esquisitos. São os poemas engasgados. As horas curtas. É o histerismo da leitura. As horas encantada até adormecer. Aquelas pessoas todas, as que estão à espera. Os textos que se afinam, as datas que se acertam, o século inteiro de literatura de que se fala. É a Rosa do Mundo, a Orpheu, a Presença de soslaio, o Herberto Helder, o Ramos Rosa, o Cesariny, o Cesariny, o Cesariny. As mulheres que são poucas mas que falam pela Mariana Alcoforado. E os livros que passam a pintores, os planos de sessões de cinema, de encontros, de passeios na Lisboa dos poetas, ninguém quer sair dali, não tão cedo. E é aquela livraria. Sem dúvida isto tudo é aquela livraria.

Escritoras esquecidas do séc XX

As leituras que faço levam-me por muitos caminhos, diferentes uns dos outros. E às vezes há sítios onde me deixo ficar, desenvolvendo uma pe...